19 de outubro de 2026

Como secar e guardar filamento no clima úmido do Brasil

Seu PLA começou a soltar fiapos do nada? O PETG saiu cheio de bolhas, e a impressora faz uns estalos estranhos durante a extrusão? Antes de mexer em retração, temperatura ou bico, desconfie do filamento. Boa parte dos filamentos de impressão 3D é higroscópica, ou seja, puxa umidade do ar. E, no Brasil, ar úmido é o que não falta em boa parte do ano.

Aqui em Brasília, por exemplo, o Atlas do Distrito Federal mostra que cerca de 90% da chuva cai entre setembro/outubro e março/abril, e que a umidade do ar fica em torno de 70% a 80% no período chuvoso. Ou seja: estamos entrando agora na época em que o carretel aberto na bancada mais sofre. Vamos ver como reconhecer, secar e guardar o filamento do jeito certo.

Como saber se o filamento está úmido

A água absorvida vira vapor quando o filamento chega ao hotend. Esse vapor atrapalha a extrusão e aparece na peça. Os sinais mais comuns, segundo os guias da Prusa e da Polymaker, são:

  • Superfície pior: acabamento áspero, sem brilho ou com pequenas bolhas.
  • Mais fiapos (stringing) e escorrimento: a extrusão fica irregular e deixa "cabelinhos" entre as partes da peça.
  • Estalos e chiado no bico: é literalmente o vapor de água escapando.
  • Camadas fracas e bolinhas: com muita água, a adesão entre camadas cai e surgem bolhas, às vezes até fumacinha na extrusão.

Uma dica da própria Polymaker: se o carretel ficou muito tempo parado e você não sabe como ele foi guardado, o mais seguro é secar antes de imprimir.

Nem todo filamento sofre igual

A sensibilidade muda bastante de um material para outro. A Polymaker coloca nylon, PVA, TPU e PETG entre os mais propensos a absorver umidade. ABS se beneficia de secagem periódica, principalmente em lugar úmido. Já o PLA é o menos afetado, mas também absorve água com o tempo. Se você tem pouco espaço para guardar tudo bem fechado, a Prusa recomenda priorizar os materiais mais sensíveis.

Quer saber quais materiais estão em alta e como cada um se comporta? Vale ler o nosso post sobre as tendências de filamentos para impressão 3D em 2026.

Como secar o filamento

Secar é aquecer o carretel numa temperatura abaixo do ponto em que o plástico amolece, por algumas horas. A Prusa publica estas referências para os filamentos Prusament:

  • PLA: 45 °C por 6 horas.
  • PETG: 55 °C por 6 horas.
  • TPU: 60 °C por 4 a 6 horas.
  • ASA: 80 °C por 4 horas.

Cada fabricante tem a sua tabela (a Bambu Lab, por exemplo, publica valores próprios para cada material e método), então confira sempre a recomendação da marca que você usa. E não passe da temperatura: segundo a Prusa, o filamento amolece e gruda nas voltas do carretel. Outro cuidado é com o carretel: alguns carretéis de terceiros podem deformar com o calor, e os de miolo de papelão podem afrouxar.

Quais equipamentos usar

  • Secador de filamento: é a opção mais prática. Ele aquece e mantém o filamento seco, e muitos modelos deixam imprimir direto de dentro dele. Confira se ele alcança a temperatura que o seu material pede.
  • Desidratador de alimentos: funciona bem tirando as bandejas para o carretel caber. Costuma trabalhar só em temperaturas baixas, então veja se atende o seu filamento.
  • Forno doméstico: dá para usar, mas com cuidado. A Prusa avisa que o forno de casa não tem uma temperatura muito precisa, e uma variação que não faz diferença no bolo pode estragar um PLA. Use um termômetro externo e corrija a temperatura se precisar. Muitos fornos nem conseguem ficar baixos o bastante.

Drybox não seca filamento

Esse é o erro mais comum. A drybox (caixa seca) é uma caixa vedada com sílica gel que só desacelera a absorção de umidade. A própria Prusa é direta: a drybox não seca filamento. Se o carretel já está úmido, seque primeiro e só depois guarde.

Como guardar depois de secar

Aqui mora o problema do clima úmido. Segundo a Bambu Lab, num ambiente interno típico de cerca de 55% de umidade, o filamento recém-seco volta a absorver água em apenas 2 a 12 horas, o suficiente para piorar a impressão. Por isso, o armazenamento é tão importante quanto a secagem:

  1. Guarde logo depois de secar, em caixa vedada ou saco a vácuo com dessecante. Sacos a vácuo comuns servem, desde que o carretel caiba.
  2. Coloque um termo-higrômetro dentro da caixa para saber a umidade real.
  3. Mire nas metas certas: a Prusa recomenda deixar o PLA abaixo de 30% de umidade, e o PETG e o TPU abaixo de 20%. A Bambu Lab sugere menos de 20% para a maioria dos filamentos.
  4. Troque ou regenere o dessecante quando a umidade passar do limite, e evite abrir a caixa sem necessidade.
  5. Imprima de dentro da caixa quando der. A Bambu Lab cita isso para materiais como o TPU, usando roletes impressos para o carretel girar fácil.

Filamento seco também é dinheiro no bolso

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Fontes